GRIME II é um Metroidvania magnífico que expande e supera seu antecessor em diversos aspectos. No entanto, sua ambição reflete-se em um tamanho colossal, uma quantidade avassaladora de habilidades e um nível de dificuldade que pode ser intimidante para muitos jogadores.
Narrativa
A história mantém o tom misterioso e, por vezes, secreto. O protagonista destaca-se por sua personalidade peculiar: um desinteresse absoluto pelos diálogos e motivações alheias. Seu único objetivo parece ser devorar, destruir e seguir em frente, ignorando o que o mundo ao redor tem a dizer. É uma abordagem visceral que coloca o jogador diretamente no papel de uma força da natureza imparável.

Visual: Da Pedra à Tela
Esteticamente, o jogo apresenta uma evolução fascinante. Enquanto o primeiro título focava em uma estética de esculturas de pedra, GRIME II adota uma direção artística que remete a pinturas vivas. Essa mudança não é apenas cosmética, mas reflete-se também em algumas mecânicas centrais do gameplay.

Gameplay: Complexidade e Excesso
O combate e a exploração são os pilares centrais, mas o jogo beira o excesso. A quantidade de mecânicas é tão vasta que algumas acabam subaproveitadas. Existe a sensação de que certas habilidades foram criadas para pontos específicos do mapa e acabam “esquecidas” depois, já que gerenciar todo esse arsenal em combate pode se tornar um desafio logístico.

Mecânicas de Locomoção e Utilidade
O jogo exige maestria técnica para navegar pelo cenário:
- Investida Contra-ataque: Essencial para atordoar inimigos (no brilho verde) e para interagir com rochas verdes para movimentação.
- Sistema de Agarrão: Uma mecânica multifuncional que serve como Grappling Hook (Gancho), permite puxar itens distantes e interagir com paredes específicas (Gancho Deslizante).
- Mobilidade Avançada: Inclui investidas aéreas, saltos na parede e o Salto de Mão, uma técnica que exige precisão para manter o momentum sem tocar o chão.

Combate e o Sistema de Moldes
O combate tornou-se mais rápido e menos dependente da barra de Stamina, que agora serve principalmente para o Ímpeto, garantindo bônus de dano enquanto estiver alta.
- Customização de Moldes: O sistema foi expandido, permitindo equipar até seis moldes (três por arma).
- Invocação via Pintura: Ao consumir inimigos, você ganha a habilidade de replicar seus poderes. Contudo, como essas técnicas são geradas a partir de pinturas e possuem uma execução lenta, podem ser facilmente ignoradas por quem prefere um combate ágil. Elas brilham, no entanto, como suporte tático e em estratégias de longo alcance.
- Marca da Morte: Ao ser derrotado, o inimigo fica marcado. Retornar e vencê-lo com um contra-ataque gera um molde que recupera sua vida instantaneamente.
- Progressão de RPG: O personagem conta com estatísticas detalhadas (Força, Destreza, Divergência, etc.) e um arsenal variado de armas de curto e longo alcance.

O Desafio da Exploração
O jogo é exageradamente grande. Enquanto um Metroidvania ideal costuma durar cerca de 15 para zerar e 30 horas para a platina, GRIME II pode facilmente ultrapassar as 60 horas.

A exploração pode ser cansativa devido a um sistema de mapa pouco intuitivo. A visão é desbloqueada por uma “névoa” que, em certos momentos, parece impossível de dissipar totalmente. Além disso, a ausência de indicadores de porcentagem de conclusão desestimula os jogadores que gostam de explorar cada canto do mapa.
Conclusão
GRIME II é uma recomendação obrigatória para amantes de Metroidvanias com “toque Souls” que buscam um desafio de longo prazo. Embora o tamanho geográfico e o excesso de habilidades possam saturar em alguns momentos, ele se consolida como um título de peso, elevando o patamar artístico e técnico da série.

Conquistas
Apesar de ser um jogo grande, as conquistas não são um problema, praticamente eu zerei e adquiri todas elas logo em seguida. Apesar de serem fáceis pode ser que deixe uma delas passar.

Santuário do Mundo / World Surrogate: Descubra todos os santuários.

Grande Devorador / Great Eater: Derrote todos os chefes.

Tece-coroas / Crownweaver: Adquira todas as Coroas de Fôlego.






